quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Vida 2



O céu se estende ao horizonte
Venho de não sei onde
Percorrendo estas terras
Rumo a um algum destino
Vago durante Eras
Carregando a vida comigo
Fugindo de algum inimigo

Carrego comigo os vermes helmintos
Ainda bem que não são platelmintos
A dor suga-me as forças
Tudo que vejo na estrada são forcas
Corpos dependurados
Até parecem estar defumados
Mas certamente estão sendo devorados
Pelos carniceiros deste local
Ah! E eu também sou um animal
Um filho desta terra
Selecionado ao longo de cada Era

Só procuro o céu além do horizonte
Mas por mais que ande
Sempre volto para o lugar de ontem
Onde encontro a mesma dor atordoante
Da ignorância humana
De quem não sabe como se ama

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Vida


E da forma como veio também se foi
Iniciou e terminou
Veio em meio às dores e ao choro
Assim também se foi
Em meio ao choro e às dores
Quando chegou havia flores
Quando se foi também levaram flores
Mas todas com diferentes odores

A vida
Veio e se foi
Foi e veio
Em ciclos infindos
Ao longo de uma constância caótica
Onde nem tudo depende da ótica
Formando em uma sopa primordial
Aminoácidos, proteínas
Desfazendo-se em uma sopa fétida
Outras substâncias e algumas enzimas

A química te fez
O tempo te desfez
Moldados pela evolução
Nos ciclos e sequências de rotação
Da Terra que persiste na universal escuridão

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Viver...


As turbulências da vida
Esta viagem tão inconstante
Cada passo sufocante
Afundando em agonia
As mãos infernais
Puxam-me para baixo
Curvando-se diante da cova
Um cadáver me observa
Envolto em vermes antigos
Me observa

Com a escuridão do que um dia
Foram olhos verdes
Um reflexo de mim mesmo
Apodrecendo
A lápide marca a data final
Mas estou cego para ela
Uma data oculta
Indefinida e apagada pelo tempo
A data que não saberei
Nasci, logo morrerei

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sociedade...


O vento percorre as montanhas
Chega até minhas narinas
O aroma vindo de lugares distantes
De lugares que não são como antes

O vento chega até mim
Encostando-se a meu rosto
Vejo a tristeza da humanidade
A decadência desta sociedade

As supostas autoridades se espalham
Hierarquização daquilo que não é
Combatem-se as diferenças sociais
Mas criam-se nomes disfarçados: “hierarquias”
Segregação que se espalha com um nome bonito
Maquilagem empresarial

Perde-se a liberdade e os reais objetivos
Pois na hierarquização, preza-se pelos objetivos pessoais
Daqueles que estão acima, nestas cadeias hierárquicas anti-naturais

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Novo livro "Alegorias da Existência"

Novo livro de poemas "Alegorias da Existência", de Marius Arthorius

A existência é eternamente dividida entre o nascer e o morrer, o que ocorre entre estas duas etapas são apenas alegorias que criamos para encher o vazio existencial criado por nossas preocupações demasiadamente humanas. Nascer, crescer, estudar, trabalhar, envelhecer, aposentar, morrer. O ciclo que se segue com toda pessoa há algumas centenas de anos desde que a sociedade moderna se estabeleceu.

Faço-vos o elogio da existência, seja vazia ou plenamente preenchida de tolas preocupações, seja curta ou longa, toda existência tem seu fim, assim como todo fim teve seu começo. Adornemos nossas existências com lindas alegorias ilusórias em busca de um viver satisfatório. Trago-lhes as alegorias da existência e da morte.

Número de páginas:205
Edição:1(2012)
Formato:A5 148x210
Coloração:Preto e branco
Acabamento:Brochura c/ orelha
Tipo de papel:Offset 75g

http://www.clubedeautores.com.br/book/132889--ALEGORIAS_DA_EXISTENCIA


sábado, 14 de julho de 2012

Passos

A morte me estendeu sua mão
Longos e gélidos dedos
Acariciavam minha face desalmada
Enquanto lágrimas percorriam o espaço
Que se estendia entre meus olhos e o abismo
 
Mais um passo, mais um ano
Rumo à morte que me espera
Oculta por detrás do manto negro
De cada noite que se desfaz
Oculta pela luz do dia
Que nos encanta com falsas ilusões
Sonhos que se desfazem
Feito névoa matinal
Diante do fogo solar
Queimando tudo em seu caminho
Carbonizando a vida
Antes do retorno
Do manto gélido da noite

As garras afiadas da morte
Perfuram meu coração
Estacas gélidas
Uma última convulsão
Um último suspiro
O adormecer eterno

A vida
Uma névoa que se desfaz
Diante do fogo do inferno

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Não acordei

Morte funesta
Uma morte aberta
Que vem quase certa
A escuridão tudo acoberta
Morte embaixo da coberta
Durante o sono ela veio
Pegou-me desprevenido
Sem defesas eu estava
Apenas sonhava
Tudo se tornou confuso
Eu sem conseguir acordar
Parei logo de respirar
A noite que seria curta
Tornou-se eterna
Nunca mais irei acordar
Ela me agarrou quando eu dormia
Sufocou-me em um instante
Como sei que eu morri?
Apenas ouço esse palhaço que ri
Pelo menos não sofri
Para um novo mundo me abri
Minhas vísceras se espalharam nele
E seus habitantes, os vermes
Festejaram durante meses