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sábado, 14 de dezembro de 2013

Alegorias da Morte V

Poema integrante do livro Alegorias da Existência, de Marius Arthorius.



Pulsos rasgados
Coração perfurado
Movimentos proibidos
Ó deus por que não me salvou?
Mestre dos mestres
Tão morto
Como todos os mestres
Palavras distorcidas
Esquecidas
Levadas com o vento
Destruídas com o tempo
Um deslize, uma morte
Uma moeda para o transporte
Rumo à inexistência
Um sorriso ao coveiro
Um abraço para a escuridão

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Viver...


As turbulências da vida
Esta viagem tão inconstante
Cada passo sufocante
Afundando em agonia
As mãos infernais
Puxam-me para baixo
Curvando-se diante da cova
Um cadáver me observa
Envolto em vermes antigos
Me observa

Com a escuridão do que um dia
Foram olhos verdes
Um reflexo de mim mesmo
Apodrecendo
A lápide marca a data final
Mas estou cego para ela
Uma data oculta
Indefinida e apagada pelo tempo
A data que não saberei
Nasci, logo morrerei

sábado, 14 de julho de 2012

Passos

A morte me estendeu sua mão
Longos e gélidos dedos
Acariciavam minha face desalmada
Enquanto lágrimas percorriam o espaço
Que se estendia entre meus olhos e o abismo
 
Mais um passo, mais um ano
Rumo à morte que me espera
Oculta por detrás do manto negro
De cada noite que se desfaz
Oculta pela luz do dia
Que nos encanta com falsas ilusões
Sonhos que se desfazem
Feito névoa matinal
Diante do fogo solar
Queimando tudo em seu caminho
Carbonizando a vida
Antes do retorno
Do manto gélido da noite

As garras afiadas da morte
Perfuram meu coração
Estacas gélidas
Uma última convulsão
Um último suspiro
O adormecer eterno

A vida
Uma névoa que se desfaz
Diante do fogo do inferno

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Lamaçal

Salgadas são as lágrimas
Que escorrem em minha face
Olhos cegos
Destruídos, lacerados

Vertentes de sangue
Em minha pele rasgada
Lágrimas e sangue se misturam
Diluem-se, dissolvem-se

Um grito na escuridão
Um choro na solidão
Mais um esquecido
Morrendo em algum canto
Perdendo-se em abismos mentais
Nos quais ninguém deveria entrar
Se quiser sair com plena saúde mental

Perdendo-se em lamúrias
Afundando na lama
Sem conseguir ver o que há acima dela
Vendo a podridão por todos os lados
Sem saber que acima há vida
É difícil se livrar da sujeira
E das angústias suicidas
Quando se vive imerso num lamaçal

sábado, 8 de outubro de 2011

Anjos queimando, anjos morrendo (Angels burning, angels dying)

As penas queimam em chamas
Esquentando o mundo a todo dia
Os anjos apodrecem com suas asas flamejantes
Só resta ao povo se alimentar
Das podridões sacras que emergem do fogo
Carbono reestruturado e intoxicante
Tudo isso é nauseante

Levam os anjos ao fogo
Mantenham as chamas acessas
Queimando dentro de nós
O ódio fervilha diante da estupidez
Desgastando as sustentações existenciais
Divindades mortas de nada servem
E nós matamos a nossa há muito tempo
Agora vagamos livres pelo cosmos
A responsabilidade recaiu sobre nossas costas
Cresçamos, pois Papai morreu
Sem mais falsas justificativas para calamidades
Já temos a razão para entendermos
A profunda realidade de nossos atos

Os anjos queimam em nosso fogo
Iniciamos esta combustão
E vamos consumar nossa fornalha
Destruindo as tolas realidades alternativas
Pois só há uma significativa
Além de qualquer força imaginativa
Já ouço os ossos angelicais se quebrando
Pregos cravados na madeira
Prendendo a carne
De criaturas imaginárias



English version...

The feathers burn in flames
Warming the world every day
The angels rot with their flaming wings
Only remains to the people feed
Of the sacred rottenness that emerge from fire
Carbon restructured and intoxicanting
All this is sicking

Lead the angels to fire
Keep the flames burning
Burning inside of us
The hate simmers against stupidity
Destroying the existential supports
Dead deities are useless
And we kill our god a long time ago
Now we wander free through the cosmos
The responsibility fell on our backs
Grow, because Dad died
No more false justifications for disaster
We have the Reason to understand
The deeper reality of our actions

Angels burn in our fire
We began this combustion
And we will consummate our furnace
Destroying the foolish alternative realities
Because there is only one significant
Beyond any imaginative force
I already hear angelical bones breaking
Nails spiked into the wood
Holding the flesh
Of imaginary creatures


 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Empalado

Poema do livro Antropophagya Addendum.

Ele estava no alto
Observando a multidão
Que o rodeava
Estava debatendo as mãos
E também as pernas
Como se tentasse voar
Mas não retornaria ao chão
Pelo menos não tão cedo
Estava empalado
Aquela longa haste de madeira
Violava seu corpo
Em tons alternados
De lentidão e violência
Avançava
De um extremo a outro
Abrindo um caminho destrutivo
Entre as visceras de seu corpo
Ele gritava, arfava e se debatia
A população gritava e sorria
Ah! Que cena! Que doce agonia!
Quando mais se movia
Muito mais rápido sofria
Logo seu tempo acabaria

domingo, 31 de julho de 2011

SOCIEDADE INSANA, de Marius Arthorius

SOCIEDADE INSANA, de Marius Arthorius





Quando o povo perde seu poder de escolha, quando as crenças são levadas ao extremo do fanatismo e quando o governo usa de forma errônea todo poder que possui em suas mãos. Surge então uma situação horrenda e indesejável a qualquer povo. No entanto, não muito diferente do caminho para o qual nossa sociedade ruma.

O que há de errado na pequena cidade Serenidade? Dominada por segredos e pelo medo no sobrenatural. Local em que a razão não encontra espaço no meio social. O que ocorre nesta cidade precisa parar, antes que a destruição chegue até seu povo.

Vislumbre os recantos mais obscuros que podem ser encontrados em nossa sociedade. Acompanhados dos momentos em que os instintos animalescos mais primitivos do ser humano afloram. Deixando de lado qualquer vestígio de racionalidade. Em meio a uma história envolta em terror e ficção científica. Recheada de reflexões sobre a vida, a morte, o tempo, o universo e a animalidade humana.

157 páginas. 1ª Edição, 2011.


Download gratuito: http://www.4shared.com/document/Dynd1CZc/SOCIEDADE_INSANA_-_Marius_Arth.html


Venda da versão impressa: http://clubedeautores.com.br/book/49463--SOCIEDADE_INSANA



quinta-feira, 3 de março de 2011

Cansado

Deixem-me em meu caixão
Abandonem-me no esquecimento
Enquanto meu corpo desaparece
Cansei da humanidade
Essa grande enfermidade
Que tem assolado o planeta

A humanidade procurou muitos desvios
Desviou tanto os seus caminhos
Que acabou por se perder
Chegou a lugar nenhum
Não tem mais sentido algum

Os temerosos procuram por deuses
Mas não nunca houve nem mesmo um
E nesta busca por deidades
É que a humanidade se perdeu
Pois esqueceu seu caminho natural
Estavam todos desejando o sobrenatural


Tired

Let me in my coffin
Leave me in oblivion
While my body disappears
I’m tired of Mankind
This great sickness
That has plagued the planet

Mankind tried many deviations
Deviated so many paths
Which eventually lose
Went to nowhere
Has no more sense

The fearful look for gods
But there was never one
And in this quest for deities
It is that mankind has been lost
Because forgot its natural path
They were all whishing for the supernatural

domingo, 31 de outubro de 2010

O abismo da morte (The abyss of death)

Eu despenquei no abismo da escuridão
Para dele nunca mais sair
O sangue em minhas mãos
Sangue da vida que terminou
A gadanha a ceifou
Aqueles olhos me hipnotizavam
Me atraíam para este local
Uma olhar sem vida
Um olhar sem dor
Segui o caminho dos ancestrais
Todos os caminhos
Tiveram o mesmo destino no final
Não havia nem bem e nem mal
Não havia deus, diabo ou qualquer outro animal
Apenas o abismo da escuridão
No qual todos nós permanecemos após a morte
Eu segui aqueles olhos
Havia passos no caminho
Muitos passos apagados
Outros eram recentes
Passos de adultos, passos de crianças
Todos nós vamos para o abismo
Havia marcas de rastejo
Das crianças que asfixiaram com leite materno
Ou daquelas que morreram no berço
Outras morreram antes de nascer
E nunca descobriram o que é amor materno
Nunca viram os rostos de suas mães
Agora rastejam para este abismo coletivo
Pois a deidade não conseguiu largar seu egoísmo
E proteger os inocentes e indefesos
Eu segui aqueles olhos
E pude ver o quão efêmera é a vida
Despenquei no abismo
Vi tantos que como eu
Caiam eternamente
Na completa ausência de sentidos
Nem dor, nem choro
Nem felicidade, nem sorrisos
Se na vida por tudo sentimos
Na morte não há nada o que sentir


I fell into the abyss of darkness
To nevermore exit of it
The blood on my hands
Blood of the life that ended
The scythe reaped it
Those eyes got me hypnotized
Attracted me to this place
A look lifeless
A look without pain
I followed the path of the ancestors
All paths
Had the same fate at the end
There was neither good or bad
There was no god, devil or any other animal
Only the abyss of darkness
In which we all remain after death
I followed those eyes
There were steps on the path
Many steps erased
Others were recent
Steps of adults, steps of children
We all go into the abyss
There were marks of creep
Of the children who were asphyxiated with breast milk
Or of those who died in the cradle
Others died before birth
And never discovered what maternal love is
Never saw the faces of their mothers
Now they creep to the collective abyss
Cause the deity could not leave his selfishness
And protect the innocent and defenseless
I followed those eyes
And I could see how life is fleeting
I fell into the abyss
I saw many as me
Falling forevermore
In the complete absence of meaning
No pain, no cry
Neither happiness, nor smiles
If we feel for everything in life
In death there is nothing to feel




sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morrer sonhando

Ontem eu estava morrendo
O ontem se foi
Se ontem eu morri
Por que hoje alguém me sorri?
Envolvendo-me na mortalha
Cortam-me com a navalha
Todas essas agruras da vida
Tolas preocupações
Ou preocupações necessárias?
Cada uma é uma lâmina
Cortando minha mente
Cortando meus sonhos
Ontem eu morri
E hoje volto a morrer
Quanto mais envelhecemos
Mais sonhos são destruídos
Novos sonhos se criam
Alguns são abortados
Outros ficam estagnados
Esperando o momento
De se tornar realidade
Para que os cortes sejam suturados
E os olhos enxugados

terça-feira, 29 de junho de 2010

Vivissecção

Vinde a mim, ó desgraça funesta. Arrebente meu corpo com a gadanha que tu carregas. Taxidermize meu corpo, impregne ele com o sal que colocamos dentro da pele dos animais eviscerados que serão empalhados. Faça a precisa incisão inicial abaixo do meu tórax, arrastando a lâmina até minhas genitálias, separe a pele da carne. Preserve meu couro para a posteridade. Pois é com a aparência externa que as pessoas se importam. Destrua tudo que há dentro de mim. Preencha minha pele com macio algodão, sustentado por maleável arame de metal. Assim meu interior será agradável para todos.
Arranque meus olhos, pois eles são as janelas da alma. Através deles demonstramos os sentimentos de nosso encéfalo, sempre oculto na caverna craniana. Forneça para mim olhos de vidro. Que nada demonstram além do olhar vago e insensível de uma criatura morta. Para que assim eu não chore mais pelas paixões perdidas, pelas palavras não ditas e pelos momentos de alegria que ficaram no passado. Assim tem-se o protótipo perfeito do estereótipo social. Um ser que nada sente e que com nada se importa.
Aqui eu me encontro. Com todos estes objetos afiados em minha frente. Frio metal que dilacera a pele humana, como frias palavras que dilaceram os sentimentos humanos. Trazendo-nos as incertezas que se ocultam em todas as partes da vida. Viver é como andar em uma corda estendida sobre um abismo. Seguimos em frente, tentando manter o equilíbrio, rumo ao futuro. No entanto, basta um pequeno erro para cairmos na escuridão abissal. E dela não há mais retorno. Pois nenhuma mão poderá te alcançar, quando com a morte você se encontrar.
Os pregos com os quais agora me perfuro em autoflagelo, fazendo-os romperem a imaculada estrutura de meus ossos, rompendo barreiras rígidas e ocultas de osteócitos e osteoblastos. E talvez até dos osteoclastos. Numa vã representação da dor que assombra minha consciência. Destruindo minhas memórias como se eu tivesse caído nas garras de um parasita indomável. Para o qual eu represento apenas um banquete carnal a ser calmamente devorado. O rubro sangue escorre por inúmeras perfurações espalhadas em meu corpo. Libertando os eritrócitos antes aprisionados em minhas veias e artérias, livres para se encontrarem com alguns leucócitos. Livres para trazerem a morte para perto de mim.
Pudera arrancar todo e qualquer sentimento que verte através das conexões dos neurônios que compõe meu cérebro. Livrando a mim mesmo de sentir qualquer coisa triste ou feliz. Apenas vivendo, alheio e independente de tudo. Em uma cirurgia cerebral e corporal devo interligar meu consciente ao subconsciente, e assim, poder purificar meu corpo através do colapso de minha epiderme. Devo arrebentar meus músculos, como se os sarcolemas fossem devorados por um verme. O nematóide que destrói o antropóide.
Com a faca afiada, despedaço meus dedos. Um a um, separando cada falange. Dissecando cada nervo e tendão. Cortes rápidos e certeiros. Ignoro a dor, pois ela não se compara ao desespero que se instala em minha mente. Dividido na eterna dualidade que freqüenta toda pessoa, dividido entre a vida e a morte. Entre a perda e a rejeição, tudo vira aflição. Percebe-se que felicidade é mera ilusão. A corda da vida oscila fortemente, desgastando-se e quase arrebentando. Mas não é o suficiente, muito mais deve ser feito. Pois a loucura ainda não me encontrou. Dela eu dependo para que talvez eu desfrute da felicidade. Um escape da realidade.
Ainda usando lâminas afiadas, inicio a retirada de minha pele. Como se fosse uma simples veste que oculta a real natureza humana. Que oculta toda a nossa ancestralidade evolutiva. E é essa aparência que quero libertar. Somente assim poderei em paz descansar. Arranco-a lentamente saboreando a descoberta do desconhecido. Tornando minha beleza interior algo conhecido. Sem minha pele para me proteger, sinto quão gélido, frio e cruel é o mundo. Indiferente perante nossa presença animal. Meu corpo, agora vermelho, apresentando nossa cor interior. Como a pele de um demônio imaginário. Estremece perante o sopro do futuro. Emanado de algum dragão que se oculta no abismo que vejo abaixo de meus pés. O abismo da morte, no qual poderia finalmente encontrar a loucura. Meu corpo entra em espasmos devido às tormentas do passado. Seguro-me fortemente na corda vida, para não cair antes do devido tempo. Para não morrer antes do derradeiro momento. Pois a libertação deve ser finalizada. Para que a morte possa ser cruamente aproveitada.
Perco o controle sobre meus músculos. Com esse acontecimento, o conteúdo de meus intestinos escapa, deslizando sobre minha pele, esquentando minhas pernas. O adorável cheiro humano que está sempre perfumando a sociedade. Que demonstra o quão ridícula é nossa presença, apesar de todas as máscaras de importância que tentamos criar.
É necessário raspar a carne que envolve meus ossos. Assim aliviando o peso que há sobre mim. Pedaço por pedaço vou retirando-a. O colapso dos nervos que impulsionam os sinais de dor até meu cérebro. Deixando-o imerso em profunda confusão. Despedaço meu corpo, semelhante a qualquer outro pedaço de carne. Tudo para ter um segundo de tranqüilidade, esquecendo o desespero solitário que está enraizado dentro de mim. Sugando todas as minhas forças e vontades. Os sonhos se desfazem perante a doce ilusão da realidade. Realidade que eu percebo através de meus sentidos que facilmente podem ser enganados para ver tudo distorcido.
Esse barulho infernal que ouço, seria o barulho que a verdade produz em nossas mentes? Ou seria o barulho da dor representada através de meus gritos desesperados? Ainda tenho forças restantes. Com uma longa agulha perfuro meus ouvidos, faço o metal adentrar na escuridão de minha caverna craniana. Uma pequena dor para se obter o silêncio enlouquecido dos que foram eternamente esquecidos. Continuo a gritar, sinto a vibração de minhas cordas vocais. Faça o desespero parar! Pois se você for amar, então também poderá chorar. É o maldito risco que todos encontram quando tentam arriscar.
A mesma agulha que usei para perfurar meus ouvidos, uso para costurar meus lábios. Não sem antes arrancar a minha língua. Ela tenta escapar de minhas mãos como se tivesse vida própria. Nada que um alicate e uma tesoura não possam resolver. Está feito. Em minha frente a estrutura que permitiu que eu descobrisse os sabores do mundo. Sangue se mistura com saliva em minha boca. Engulo essa sacra mistura, como alguém que tenta engolir o choro do sofrimento. Sempre há um pouco mais para ser engolido. Já que o sofrimento é o peso que nos afoga rumo as entranhas da terra.
Quando encontrar a morte, vislumbrarei o que havia antes da vida. A escuridão. O silêncio, a ausência de sentidos e de imaginação. É a escuridão que se encontra antes e depois deste pequeno lampejo que chamamos de vida. E o que fazemos para aproveitar tal lampejo? Transformamo-nos em escravos. Escravos do dinheiro. Do sistema econômico sem o qual não conseguimos viver. Inusitadamente, o que nos permite viver é justamente o que nos impede de aproveitar a totalidade da vida. Não podemos comer papel, mas é ele que nos mantém vivos.
Mesmo com os sentidos destruídos ainda sou atormentado. Pelas lembranças da felicidade que não mais existe. E que agora não voltará a existir. Pois a corda da vida está se desfazendo. Não tenho mais forças para mantê-la. Preciso parar. Não sei como voar, para que do abismo eu possa escapar. Sei apenas caminhar e quase me arrastar. Através deste caminho no qual ninguém me ajudará. Não há como continuar. Com a fria lâmina que tanto trabalhou neste dia, que agora se encontra aquecida pelo meu sangue, irei partir meu coração em definitivo. Para não mais se recuperar. Cravo-a em meu peito. Lentamente rompendo todas as estruturas restantes. Deslizando rumo ao meu músculo cardíaco que se debate como um animal aprisionado que busca liberdade. Enquanto lágrimas dançam insanamente em minha face.
Desculpe Vida, sei o quanto tu és valiosa. Não quero depreciar sua presença, para mim você está acima de todas as coisas. Somente pelo seu valor eu já abnegaria prontamente a presença da Morte. Mas se neste caminho eu for obrigado a estar na presença da Solidão e da Escuridão, então prefiro encontrar estas duas na presença da Morte. Afinal, ela é o local de onde nós viemos.

Marius Arthorius

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Morra liberdade

Como uma bela princesa
Presa em suas cordas
Marionete sem jeito
Pendurada em sua morte
Deformada pelo tempo
A poeira se acumula
Sobre o sangue já seco
A corda principal em seu pescoço
Enforcada, mutilada, despedaçada
Seu trono é um vaso sanitário
Para onde escorrem suas lágrimas
Ao redor de seu trono
Um belo tapete vermelho
Composto de teu próprio sangue
Dance, princesa, dance!
A forca está te apertando?
Procure o ar que foge
Suas garganta se fecha
Teu colar de corda
Pressiona teu lindo pescoço
Liberdade é mera ilusão
Está presa em teu reino social
Uma forca pelo amor
Vamos admirar a tua dor

Para acompanhar...
Xasthur

domingo, 3 de janeiro de 2010

Retrato Fúnebre

Cortando os pulsos
Com a navalha afiada
Sinfonia da morte
Cascata de sangue
Tinta para o artista
Pintura sacra da morte
Auto-retrato fúnebre
Abrindo fendas na carne
Rasgando a vida
Destruindo sonhos
Procurando a escuridão
Viajando para o fim
Para o lago de fogo
Tão frio
Congela todos os pensamentos
Traz a palidez da morte
Apaga a chama da vida
Esfria o calor humano
Decompõe a matéria

Para acompanhar...
Dissection - In the cold winds of nowhere

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Berço

Ele jaz no berço
Dormindo calmamente
A respiração calma e tranquila
Criança que descansa
Sonha com um mundo inocente
Ao crescer irá sofrer
Verá que este belo mundo
É composto de ódio e raiva
Guerras e doenças
A liberdade
Perdeu-se há muito tempo atrás
Nenhum deus para te proteger
Apenas o mundo e você
A morte se prende ao calcanhar
Diminui o teu passo
Tu ó criança do mundo
Perderá tua vivacidade
Conforme avança a idade
Será puxada para baixo
Curvando-se sobre teu corpo
Cada vez mais próximo do chão
Rumo ao buraco que lhe aguarda
Que abrigará teus restos mortais

sábado, 21 de novembro de 2009

Morrendo

Perfurado por espinhos
Num reino sem liberdade
Preso por estes muros
Que ocultam a realidade
Sendo invadido
Pela ironia da crueldade
Por que não acabei com a vida?
Até se descobrir
Que a vida nada vale
Leva algum tempo
E mais algum tempo
Para acabar
Com este item
Medíocre e sem valor
Vamos nos matar
Num grande abraço coletivo
Abraçaremos nossas mortes
Sorrimos para a morte
Cuspiremos sobre a vida
Vida inútil
Tão ridícula
Sem significado
E eu aqui, magoado
Em algum tempo enforcado
Após, enterrado
Para sempre sepultado

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Maldição obscura

Corre em minhas veias
Este veneno maldito
Originado da solidão
O que é a vida?
Mera perda de tempo
Um breve e inútil lampejo
Destruam-na
Acabem com esta maldição
Voltemos para a escuridão
Corre em minhas veias
Esta eterna solidão
A chuva cai lá fora
Suas gotas são como pregos
Perfurando minha pele
Enquanto me desloco
Partindo rumo à solidão
Rumo à noite e sua escuridão
Haverá somente a morte
E sua gélida e maldita presença
Nenhuma estrela no céu
Nenhum verso no papel
Nenhuma vida...

sábado, 7 de novembro de 2009

Devaneios da morte

Os músculos de meu corpo
Contorcem-se em espasmos
Esticam, contraem, retorcem
Com as unhas perfuro
Minha podre carne
Que de nada vale
A vida se torna mais colorida
Tingida com a cor vermelha
A escuridão torna-se rubra
Esta dor que surge
Das profundezas de meu crânio
Bato a cabeça contra o chão
Não encontro salvação
Meu coração
Explode entre os dedos
Que formam esta vil criatura
Chamada vida
Desmembrem meu corpo
Espanquem este cadáver
Que nada mais sente
Além da escuridão
Fluindo em minha mente
Não seja clemente

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Enterrado

Tomado pela escuridão
No local em que os vivos
Permanecem eternamente calados
Como uma paixão avassaladora
O vácuo domina a vida
Meu destino é a cova
Túmulo de mármore já gasto
Carcomido pelas intempéries
Nevralgia da eternidade vazia
Cuspam sobre mim os vivos
Pois estou morto
Nasci do assassínio
Sem palavras a declarar
Minha riqueza é este odor
Minha companhia são os vermes
Para a terra eu retornarei
Minhas moléculas se desfazem
Meus átomos estão se separando
O último espasmo da vida individual
Retornarei para o mundo
Finalmente livre
Após cumprir meu ciclo
Abraçado pela morte eu fui
Nada mais tenho
Somente o universo ao qual pertenço

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A Inquisição

Incriminado sem motivo
O herege seguia para a fogueira
A Inquisição, o amor de deus ativo
A causa da mente tomada pela cegueira
Confiscando os bens para a igreja “benévola”
Torturando os inocentes de forma malévola
Matando sob proteção divina
Torturando milhares em carnificina
A ganância dos domini canes
Mantinham os tribunais da Inquisição
Os pensadores ficavam sem ação
O povo em ignorância, ria da atração
Tempos obscuros do passado
Tempos não tão distantes
O cheiro de corpo assado
Ainda se faz presente nestes instantes
Pois o mal fanático reverbera
Ecoando através de toda Era
Que o passado não se repita, quem me dera!
Só resta a critica que algum pensador fizera
Haverá algum momento nesta terra
Em que o fanatismo deixará a nossa Era?

Notas: "domini canes" significa "cães de deus"
é um jogo de palavras com Dominicanos
freis seguidores dos ensinamentos de São Domingos,
que junto com os franciscanos, ajudaram no
funcionamento da Inquisição em alguns períodos.

Para acompanhar...
um som da banda brasileira Ungodly
música: Murderers in the name of god

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Devaneio solitário

Por detrás de todo sorriso
Oculta-se a escuridão
O sofrimento que se mantém na mente
Só é aliviado com o flagelo da dor
A vida é um grande lamaçal
A cada passo se afunda ainda mais
Rumando para a asfixia infernal
É conviver com as pessoas
E ainda assim permanecer sozinho
É a loucura que se espalha na mente
Apenas mais um tolo ser vivente
Assim como a paixão diariamente torturada
Assim como a palavra que ficou estagnada
Vácuo constante que ocupa a alma inexistente
Existe apenas carne, sangue e ossos
Deliciosos quando corretamente preparados
E conexões neurais
Criadoras de todas as crenças cerimoniais
Nada suprime a constante solidão
Um autômato, assim parece toda ação
No fundo, não somos ninguém
E ninguém se importa
Com aquele que no humor está aquém
Para os outros é apenas mais um alguém
Ninguém nunca saberá o que se oculta
Nos recantos de cada mente imunda
Apenas mais um tolo descartável
Apenas mais um humano reciclável
Calma e lentamente
Parece que as ideias se afastam
Para longe de toda a realidade
Buscam o caminho da atrocidade
Arrebentando a pele com atrito
Doce ilusão do livre-arbítrio
Doce ilusão de com tudo acabar
Sentir cada verme na pele a rastejar
Sentir cada bactéria na carne se multiplicar
A terra infiltrando-se no corpo decomposto
O cheiro de mais um que da vida foi deposto
Tudo baseado em seu insano pressuposto